A sala de aula é um texto lido e
interpretado de diversas formas dependendo da ótica de quem a lê. Por exemplo,
para a maioria dos proprietários de escolas particulares, esse espaço é lido
como um texto com verbos significativos: lucrar com a informação, vender
conhecimento, ganhar, receber etc. O estudante compra o conhecimento e a
instituição vende através de um professor. Para tais comerciantes, a sala é um
texto fundamental por ser lucrativo.
O
professor dono do saber lê a sala de aula como um texto hermético e unilateral,
produzido por ele, com a sintaxe perfeita e a linguagem culta segundo a
gramática normativa. O aluno é apenas um receptor passivo e subserviente. Ele,
um detentor do conhecimento e doador da informação. A sala de aula segundo sua
perspectiva é de difícil compreensão ao ser lida por outros.
A sala de aula é um texto cansativo, irritante
e interminável para o professor fatigado, cansado. É um texto com muitas
figuras de linguagem, termos técnicos incompreensíveis, expressões idiomáticas
em uma outra língua. Por ser um texto aborrecedor, é lido de qualquer jeito,
sem atenção, pulando linha, pois cada aluno se torna um parágrafo maçante de
três a cinco páginas.
Os
políticos costumam ler de forma estratégica e demagógica o espaço de sala. Na
frente do público, o texto é lido com muitos adjetivos: ensino excelente,
infraestrutura ótima, refeição nutritiva, professor bem assalariado etc. Porém,
a verdade é que a sala de aula é um texto que nem é lido pelos governantes, é
uma pedaço de jornal de quinta página, entre anúncios, que foi deixado na
gaveta de coisas velhas. Por outro lado, o futebol e o carnaval não são apenas
textos para tais leitores, são livros caríssimos, importados e colocados na
cabeceira para serem lidos todos os dias.
Para
os educadores que se preocupam com a “vida e morte social dos alunos” a sala é
um texto agradável e desafiador. Não é um texto fácil, mas satisfatório. Na
verdade, para tais mestres, a sala de aula não é apenas um texto, e sim um
livro lido, estudado e pesquisado constantemente. A cada página é observado com
cuidado os sujeitos simples e compostos, nunca inexistentes. Cada aluno é um
parágrafo complexo, no qual necessita ajuda de um dicionário e outros livros
para que seja lido com atenção e empatia. As reticências encontradas nas
diversas linhas podem ser interpretadas ou não ao longo da leitura. Existem
muitas páginas em branco por ser um livro
lido por poucos pela falta de interesse das editoras responsáveis. Entretanto,
para os amantes do ensino, a sala é uma leitura de troca de experiência. E a
cada término de leitura, o livro se abre e é lido outra vez.
Para os educadores que se preocupam com a “vida
e morte social dos alunos” a sala é um texto agradável e desafiador. Não é um
texto fácil, mas satisfatório.
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